Arquivos para 'escritos'Categoria

green

24/02/2009

macgreen1

Que marca realmente se esforçou para começar a ser ecológica e amiga da natureza? Essa foi uma das perguntas da pesquisa tratada no post anterior. Acima um exemplo do perfil ecologicamente correto que se espera de uma grande marca. Lembra dos 3rs? Reduzir, reaproveitar e reciclar? Pois bem, a Apple diz em sua mais recente campanha, que está no caminho e se nomeia como “a mais ecológica família de notebooks do mundo”. Nesta linha, os computadores são criados com material altamente reciclável e com uso reduzido de produtos nocivos ao meio ambiente, além de possuir bateria de maior duração e embalagens reduzidas. Marty Neumeier chamaria isso de Zag. A empresa percebeu uma tendência mundial, adaptou seu produto às necessidades dessa tendência e de sobra, tem o reconhecido pioneirismo.

Pensando em marca nacional ecologicamente correta, para mim a Natura é o maior e melhor exemplo de todos. Preocupada com o meio ambiente, a maioria das linhas produzidas por essa empresa de cosméticos permite a reutilização de embalagens por meio de refis. A empresa foi única marca de bens de consumo a ocupar o ranking entre as 50 marcas mais valiosas da América Latina, promovido pela Interbrand em 2008. O perfil da Natura é poético, simpático, acolhedor e mexe com a autoestima das pessoas. É resultado de uma marca que inspira confiança.

branding e repúdio

12/02/2009

O incidente que aconteceu essa semana a uma pernambucana radicada na Suíça, supostamente agredida por um grupo de neonazistas, nos lembra que o preconceito racial e a xenofobia são resultantes de uma construção ideológica segregadora, em que estrangeiros e determinadas raças são alvo de repúdio.

O fato é que esse culto ao ódio também é branding, apesar de nos causar asco, dor e revolta, os nazistas difundiram sua marca de maneira tão forte que nos angustia até hoje. Talvez seja infeliz minha comparação, mas a comunicação e o design também, contra a nossa vontade, serviram e continuam em ação para esse tipo de postura.

Livro de Steven HellerSteven Heller, colaborador da revista Print, trata do desenvolvimento da marca totalitária (nazista, fascista italiana e do comunismo chinês e soviético) e suas implicações, em seu livro “Iron Fists: Branding the 20th-century totalitarian state” . É importante termos consciência que não só fora do Brasil existem pessoas influenciadas e propagadoras do ódio. A ética e o respeito ao próximo deveriam ser obrigatórios em qualquer profissão e gostaria de alguma maneira, poder contribuir para tanto.

Leia também a matéria do portal G1 que trata a respeito do incidente citado.

Acasos, coincidências ou nem tanto

10/02/2009

 logo-book

 

A criatividade sempre esteve envolta a polêmicas quando o assunto é originalidade. O mérito criativo é sempre de “quem faz primeiro” e quando uma obra já é de domínio público, não se deve eximir, de maneira alguma, o seu criador. Não existem autores anônimos ou obras sem data, em outras palavras, não existem propriedades artísticas sem dono. Uma obra pode ter criação coletiva, mas não vamos confundir as coisas, copiar algo resultando em apropriação intelectual ou criativa é crime. Uma coisa é possuir uma reprodução de uma obra de arte em casa ou a cópia de alguns capítulos de um livro que tem interesse em comprar, como também baixar algumas faixas de algumas músicas que você gosta na Internet.

 

Walter Benjamin já falava sobre a obra de arte e reprodutibilidade técnica há mais de 70 anos, mas não imaginava a dimensão que essa questão tomaria, afinal, sabemos que a obra de arte não perde seu mérito por ser conhecida através de livros, revistas, projeções, web sites ou outros meios de divulgação. Esses meios são de suma importância para a cultura e para a aquisição do conhecimento. Não se questiona nesse momento a aura por ele citada, ou questões similares.

 

Em todo mundo existem designers que apropriam-se de projetos criados anteriormente por outros designers, muitas vezes valendo-se de tendências temporais de suas gerações, mas que na realidade não merecem mérito algum atribuído à obra original. Não basta ser criativo, tem que ser original sim. Assim como produtos piratas, existe o design pirata, criado pelos designers-piratas. E qual o destino deles?

 

Vários casos famosos de marcas ganhadoras de concursos nacionais, com grandes prêmios, não passam de cópias descaradas de uns livros ou revistas comuns nas estantes de qualquer escritório de design. O problema é que o conhecimento desses projetos-piratas limita-se ao meio dos designers, em listas de discussão ou em eventos em que se discute a propriedade intelectual e industrial de produtos.

 

Pedro Guitton, designer brasileiro, deixou boquiabertos vários designers em suas palestras sobre marcas ao expor algumas dessas “obras do acaso”. E citou um caso interessante, a marca da Anatel (Agência reguladora de telecomunicações), há 10 anos, criada pelo escritório de design PVDI, fundado pelo designer pernambucano Aloísio Magalhães. De maneira inapropriada, a cópia elaborada por esse escritório é divulgada juntamente às marcas projetadas pelo fundador. A marca original encontra-se no Japan´s trademarks & logotypes in full color, part 5, página 10, edição de 1992.

 

Sejamos honestos então, citemos as fontes, as origens, inspirações, referências, que sejam. Como diz o ditado, “vamos dar nomes aos bois” e lembrar que para uma obra ser de domínio público, a mesma precisa ser centenária e para as mais atuais, convém lembrar que existem órgãos reguladores de propriedade intelectual e industrial que servem para registrarmos nossas criações, antes que os méritos cheguem em mãos erradas.

__________________________________

Veja também:

 BENJAMIN, Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. In: Obras escolhidas. Magia e Técnica, Arte e Política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1985.

zag

31/01/2009

No livro “Zag”, de Marty Neumeier, também autor de “Brand Gap”, o autor trata com muita clareza a gestão de marcas e com uma simplicidade que torna a leitura muito agradável. Ele diz, por exemplo, que se a palavra marca não existisse, a melhor para substituí-la seria “reputação” e que branding seria a construção dessa reputação. Em seguida o livro traz uma ilustração que trata a respeito dos papéis do marketing, relações públicas, entre outros, fechando com o branding. Em suma, o mais importante não é de que forma você sabe sobre uma determinada marca, mas o quê você sabe, o quanto e o que faz gerar interesses sobre a mesma.

Ilustração do livro "Zag", de Marty Neumeier, ed. Bookman

Ilustração do livro "Zag", de Marty Neumeier, ed. Bookman

branding é relacionamento

12/01/2009

obama

Texto publicado na revista Pronews de Comunicação e Marketing, Ano IX | Dezembro de 2008/Janeiro de 2009. http://www.revistapronews.com.br/edicoes/106/brainstorm.html

Buscar novas leituras do mundo, músicas que traduzam momentos, filmes que contêm histórias que vivemos ou desejamos viver um dia, procurar equilíbrio financeiro, físico, emocional e espiritual, bem como aperfeiçoamento profissional. Essas e outras aspirações movimentam as pessoas, o consumo e, por conseqüência, o universo das marcas.

Em um relacionamento, pensar o quanto uma pessoa é importante para a outra é avaliar o valor da relação. Se os hábitos não convergem, os valores destoam e a sintonia é mais delicada. Com as marcas não é muito diferente, existe uma relação entre elas e seus consumidores, baseada em valores tangíveis (como a necessidade de adquirir um produto) ou intangíveis (como a necessidade de adquirir uma marca específica, ou votar por acreditar na filosofia de um determinado candidato). O grande desafio para os gestores de marcas é entrar no ambiente em que “cada pessoa é um mundo”, com anseios, desejos e valores seguidos ou transgredidos. É também criar perfis os mais diversificados para que o consumidor se identifique e se sinta especial.

A fidelidade é algo esperado em muitos relacionamentos, é estilo de vida do amor romântico, o que para alguns não faz nenhum sentido. Ser fiel não é somente o que uma marca espera de seu público, mas o reconhecimento do que ela exprime, por meio da comunicação e do design. A comunicação cria além de promoções, campanhas novas em curtos prazos, uma diversidade de slogans para uma mesma marca, frases que são como votos em casamentos tradicionais e se “ressignificam” ao passar do tempo. Ao design cabe sempre surpreender, como atrair alguém investindo na própria aparência, ao superar sempre a melhor apresentação da própria marca enquanto símbolo/logotipo ou de produtos diversos.

Branding é esse processo de construção de valores de uma marca e avaliação de fatores como lealdade, conhecimento sobre a marca, qualidade percebida e associações. O objetivo é fazê-la mais forte e rentável para as bolsas afora, resultado da comunicação com o público final por meio de ações de marketing, campanhas publicitárias e por apelos visuais do design, que influem na necessidade de consumo ou em uma forte empatia.

Este ano, no ranking “The best global brands”, promovido pela empresa Interbrand, 8 das 10 marcas mundiais de maior influência são norte-americanas, sendo as outras da Finlândia e do Japão. Isso mostra que o poder de influência de uma marca está diretamente ligado ao país de origem. O “american way of life” é uma marca forte dos norte-americanos, o que atrai muitos imigrantes a buscarem uma vida mais “feliz” e “próspera” nos Estados Unidos. Sabemos que a atual crise econômica abalou o ponto de vista do mundo sobre aquele país, mas eis que surge uma outra marca, tão valiosa quanto o jeito de viver dos americanos e muito bem trabalhada neste ano: Barack Obama. O que se espera deste novo governante é tanto, que, ao primeiro tropeço, as críticas também terão a mesma dimensão. São as cobranças tão naturais de um relacionamento novo, cheios de expectativas e promessas.

_________________________________________________

Interbrand é uma empresa especializada em gerenciamento de valores de marcas mundiais.Veja mais em www.interbrand.com.

Confira os 50 posters criados por vários designers com a temática da campanha: www.evasion.cc/blog/comments/designer-obama-poster